sábado, 15 de janeiro de 2011

POEMA

(Bosch)




GOMORRA

Uma centelha de luz que se dissemina ao compasso das disparidades. Caminhamos sobre Gomorra e o desejo de todas as injúrias. Na gratuidade das omissões, de ofensas não ratificadas, proliferam-se ossos e cicatrizes da meretriz usurpada. Não se preside o inferno e o amor, não se preside a cobiça e a ternura. Somente o indulto de fatos estabelecidos ante a insídia das próprias ilusões. Os que esperam os lírios famintos apodrecem no inestimável furor da aurora.




quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

POEMA

(Magritte)




CANÇÃO


A Marta dos Reis Valeriano


Como o vento, uma canção reincidente.
Afloram presságios, intentos.
Cálido amparo, minúcia do tempo.
– Instância premente de amor.

15/01/2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

Luzes Acesas

Luzes Acesas

sementes ainda germinam
e flores ainda se abrem
às luzes que examinam:
talvez seja uma mensagem

as noites vão e os dias vêm
cada qual deixa imagem
em sonho meu ou de alguém:
talvez seja uma mensagem

amigos ainda se abraçam
indo e vindos de viagem
mãos se querem e se entrelaçam:
talvez seja uma mensagem

pode ser doce ainda o mel
em um riso, em uma dança
brilhar ainda o sol no céu
em mensagem de esperança.


Imagem: Ein geschmückter Weihnachtsbaum - Malene Thyssen

Feliz Natal a Todos!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010







PÁLIDO PECADO


Oh! Pálido Pecado da gris Morte,
Numa misteriosa e bela dança!
O jogo dos olhares... Esperança!
O movimento quente, lindo e forte...


Oh! Pálido Pecado que em mim lança
Fascínio, sedução... Oh falsa sorte
Que me deixa sem luz, céu, vida e norte!
Maldita e imaculada! Triste dança!


Oh! Pálido Pecado... Juventude...
Dança, dança, divina grã-beleza!
Dança, dança, lasciva grã-pureza!


Dança sem fim, desejo atormentado...
Virtude escura... Pálido Pecado...
Oh! Pálido Pecado de virtude!


ROMMEL WERNECK
2007 


 

Cata-ventos

Cata-ventos

Giram minhas setas rotas incertas
certo eixo reto em sinas movidas
faz apelo ao vento sopros em vidas
geram senhas tortas portas abertas

Ares fluem fumos finos suspensos
folhas sugam forças justas lobadas
surgem pontos dinos vários intensos
catam ventos artes fortes provadas.

domingo, 5 de dezembro de 2010

EPIGRAMAS

(Klimt)




EPIGRAMA

Marta, para todas as horas possíveis o amor.
Assim o ciclo remissivo das estações
traz à primavera a esperança em flor.


EPIGRAMA (2)

Marta, preciso é o tempo a recobrar sua lição.
Assim a complacência dos gestos e sua missiva.
Circunscrito no horizonte da palavra
o amor é mais que uma definição.

A tortura de um homem

http://pote-de-poesias.com/visualizar.php?idt=2654725 
A tortura de um homem
(um título provisório)
Soaroir Dez.5/10




Aquando do fim da viagem
Reduz-se o ar, sem perceber
Sufoca-se o canto da boca
E todas as figuras de ritmo

Somente gritam as vísceras
Tristes árias de cantatas
Até então desconhecidas

Semibreve vida de um homem
Vivo morto sob pensamentos
Cultuados como se eternos

Peso que lhe entorta os beiços
Os ombros, e lhe encurva o dorso

Na rubra face assaz remota
Como a libido e o falo ...